Eleições 2026
A propaganda eleitoral só começa em 16 de agosto — mas a eleição está sendo decidida agora. Veja o que a lei permite na pré-campanha, a linha que você não pode cruzar e como usar essa janela para chegar em agosto na frente.
Existe um mito perigoso de que “antes da campanha não pode nada”. É o contrário: desde a minirreforma de 2015, o artigo 36-A da Lei das Eleições liberou quase tudo na pré-campanha — com uma única linha vermelha. Quem entende essa janela trabalha por meses enquanto o adversário espera agosto. Quem não entende, ou perde tempo parado, ou queima a largada e leva multa.
O que é a pré-campanha
É todo o período antes do início da propaganda eleitoral, que em 2026 começa em 16 de agosto. Até lá, você ainda não é candidato — é pré-candidato. E a lei reconhece esse papel: permite que você se apresente ao eleitorado, desde que respeite o limite que veremos adiante.
Estrategicamente, a pré-campanha é a fase mais barata da disputa. A atenção do eleitor ainda não está saturada de propaganda, o custo de construir relacionamento é mínimo e cada semana de estrutura montada agora vale o dobro em outubro. É exatamente por isso que tanta eleição se decide antes de a campanha começar.
O que PODE antes de 16 de agosto
Pelo art. 36-A da Lei 9.504/97, não configuram propaganda antecipada, entre outros atos:
- Mencionar a pretensa candidatura — dizer publicamente que pretende disputar;
- Exaltar suas qualidades pessoais e divulgar sua trajetória;
- Participar de entrevistas, programas e debates, inclusive com cobertura da imprensa;
- Divulgar posicionamento pessoal sobre questões políticas — inclusive nas redes sociais;
- Realizar e participar de encontros, seminários e eventos partidários;
- Pedir apoio político e divulgar as ações que desenvolve e pretende desenvolver;
- Arrecadar por financiamento coletivo (a “vaquinha eleitoral”), liberada desde 15 de maio de 2026, observadas as regras legais.
Repare no que isso significa na prática: organizar a base, estruturar lideranças, mapear o território e construir relacionamento com eleitor é permitido o ano inteiro. Gestão interna de campanha nunca foi propaganda — é trabalho.
A linha vermelha: pedido explícito de voto
A única condicionante central da pré-campanha é essa: não pode pedir voto. Nem usar as chamadas “palavras mágicas” — “vote em mim”, “me elejam”, número de urna associado a pedido de apoio. A Justiça Eleitoral também veda o caminho inverso: pedir para não votar em alguém (propaganda negativa antecipada) já rendeu multa a pré-candidato.
Outras armadilhas que derrubam pré-candidatos: propaganda paga em rádio e TV (proibida na pré-campanha), outdoor (proibido sempre), atos típicos de campanha como carreatas com pedido de voto, e gasto excessivo — que pode configurar abuso de poder econômico. As multas por propaganda antecipada variam de R$ 5 mil a R$ 25 mil, e casos graves podem comprometer a candidatura. Sobre impulsionamento pago de conteúdo, a regra é estreita: só vale se contratado diretamente pelo partido ou pré-candidato, sem pedido de voto e com gastos moderados e transparentes — na dúvida, segure o impulso e consulte um advogado eleitoral.

A regra de ouro da pré-campanha: você pode se apresentar, não pode se pedir. Mostre quem você é, o que fez e o que pretende fazer — e deixe o “vote em mim” trancado até 16 de agosto.
O que fazer AGORA com essa janela
Se quase tudo é permitido, a pergunta certa não é “o que pode”, e sim “o que rende mais”. E a resposta é estrutura, porque estrutura não se improvisa em 49 dias de campanha:
- Organize a base: tire os contatos do caos de planilhas e grupos e centralize com segmentação e localização;
- Estruture as lideranças: defina quem são, dê a cada uma um link rastreável e metas claras;
- Mapeie o território: saiba onde você é forte, onde é fraco e onde vale concentrar esforço;
- Construa relacionamento: apoio político pode ser pedido — e apoiador cadastrado hoje é voto mobilizável em outubro.
As datas que mandam no seu calendário
- 20 de julho a 5 de agosto — convenções partidárias definem os candidatos;
- 15 de agosto — prazo final de registro das candidaturas;
- 16 de agosto — começa a propaganda eleitoral (aí sim, pedido de voto liberado);
- 4 de outubro — 1º turno; 25 de outubro — 2º turno.
Faça a conta: da abertura da propaganda ao 1º turno são 49 dias. Quem chega em 16 de agosto com base organizada, lideranças ativas e território mapeado usa esses 49 dias para converter. Quem chega no zero, usa para se organizar — e descobre que não dá tempo.
Um aviso final: este artigo é um guia prático, não aconselhamento jurídico. Cada caso tem nuances, e a jurisprudência eleitoral evolui — tenha um advogado eleitoral de confiança validando suas ações de pré-campanha.
Use a pré-campanha para o que ela serve: estruturar
O Campanha Ativa organiza sua base, dá link rastreável e metas a cada liderança e mapeia seu território — tudo dentro do que a lei permite, para você chegar em 16 de agosto pronto para converter.
